Prévia Especial - LEGO Rock Band

Por: Leonardo Teixeira e Caio Fernandes
O gênero de games musicais vem decaindo em números estatísticos e econômicos, sofrendo de uma demanda em considerável queda. Mas decretar o fim desse gênero ainda soa algo altamente surreal: eles ainda vão firme e forte, obrigado, e por um bom tempo. Prova disso é o mais novo LEGO Rock Band, da Harmonix e MTV Games. O Fliperama teve a chance de visitar os quartéis da Warner Bros., em Alphaville, São Paulo, para testar em primeira mão o mais novo jogo musical. Nossas impressões? No geral, bem positivas. Mas vamos primeiro aos detalhes nesta prévia exclusiva do Fliperama.
LEGO Rock Band inaugura uma nova abordagem para a série, com mais apelo familiar e infantil. Isso, claro, fica óbvio já no título: o game é todo construído ao redor da popular marca de brinquedos, de maneira que tudo soa mais convidativo, colorido e leve. Mas também fica claro em outras porções do game. Para começar, a Harmonix decidiu seguir uma estratégia bem diversa à apresentada em seu título passado, The Beatles: Rock Band. Isso significa que o repertório de LEGO Rock Band foge de atrair nichos muito restritos (afinal, apenas fãs do quarteto de Liverpool são de fato agraciados pelo outro game) e aposta em um repertório consideravelmente amplo. Não podemos dizer muito sobre o leque musical do game. Embora o Fliperama tenha conferido a lista completa, a Warner não autorizou que todas as canções fossem jogadas. Mas dá pra dizer que há uma considerável quantidade de brit pop, baladinhas adolescentes e rock, nenhum folk e já comunicamos: apenas uma faixa de heavy metal. Falta saber se vai fazer mais sucesso no mercado do que o esforço comercial de The Beatles: Rock Band.
Mas vamos ao nosso teste. A bateria de análise foi bem reduzida, de modo que tivemos alguns minutos para testar algumas das primeiras (e mais fáceis) músicas do jogo. Os menus são muito parecidos com os de Rock Band 2: você tem as músicas em uma longa lista, dividida em estilos. O jogador pode relacionar estilos específicos e ter uma lista apenas com as canções deste perfil específico. Depois de uns segundos mexendo com o menu, fomos direto escolher as canções para a prévia. Começamos, claro, por duas do clássico Queen: We Will Rock You e We Are The Champions. E como jornalistas sérios e gamers veteranos, claro que não íamos passar vergonha em frente ao setor de PR da Warner, e selecionamos direto a dificuldade máxima, o Expert. E, guitarras plásticas em mãos, lá vai nossa primeira surpresa do teste: LEGO Rock Band é fácil. Claro, estas são duas das primeiras músicas do jogo, estávamos capacitados apenas para assumir o papel de guitarra e baixo e já temos uma certa intimidade com jogos musicais. Mas foi esta a impressão, principalmente se considerar o desafio que mesmo as primeiras faixas tanto de Rock Band quanto de Guitar Hero davam aos gamers na dificuldade Expert. Isso, claro, está longe de ser um problema e, mesmo dedicado ao público infantil e casual, LEGO Rock Band soa mais desafiador do que bocó. Vale dizer, as duas faixas de Queen apresentam poucas seqüências de notas rápidas (arpejos) e qualquer um que saiba mandar bem nos “acordes” (duas notas tocadas) não terá problemas.

A terceira música escolhida para o teste foi o Let’s Dance, do britânico David Bowie. A faixa se encontra um pouco mais pra frente no game – ao menos em relação às duas do Queen – e apresenta alguns desafios mais exigentes, como acordes com aberturas e um número maior de notas soltas. De novo, nada demasiado desafiante. A essa altura, outro ponto notável está na apresentação visual do jogo: tanto o Queen quanto David Bowie estão representados visualmente em versões LEGO, e o mesmo ocorre com outros músicos, como Iggy Pop e a galera do Blur. O resultado é muito divertido, embora os personagens lembrem apenas de forma distante os famosos da vida real. E não dá para evitar a sensação que a Harmonix podia ter escolhido uma versão mais legal de David Bowie para colocar no game – como na época do Odyssey ou do Ziggy Stardust. Reclamação pequena, claro. A parte mais interessante está na animação dos personagens, cheios de trejeitos divertidos. Além do mais, todo o estilo típico de Rock Band – as artes radicais dos menus, as casas de show estilizadas – se mantiveram o mesmo, apenas “leguificados”. Pequenos detalhes como as notas no braço da guitarra serem peças de montar fazem uma boa diferença no pacote geral.
Infelizmente não pudemos nos aprofundar no menu de criação de personagens, mas pode-se dizer que é a mesma experiência de Rock Band 2, apenas coberta pelo visual LEGO. O jogador pode usar dinheiro ganho em palco para comprar novas peças (cabeças, troncos, pernas) e acessórios diversos para seu avatar. A seleção parece ampla. Outro ponto que vai ficar um pouco de fora nesta prévia é o novo Story Mode, que dará a gamers um contexto para todo o Rock n’ Roll.

Se você estava se perguntando se vale gastar dinheiro com um jogo musical “para criança”, podemos lhe assegurar uma coisa: LEGO Rock Band é um jogo digno de ser aproveitado por todo mundo. Sua estratégia casual, com uma dificuldade mais acessível e um repertório musical mais amplo e popular, são indicativos disso. E o visual cheio de charme e humor criado pela Traveler’s Tale (dos igualmente divertidos LEGO Batman e LEGO Indiana Jones) conta pontos a favor de uma apresentação visual agradável. O game está em um ótimo pé, praticamente pronto para seu lançamento no mês que vem, e promete muita diversão para o público casual, principalmente enquanto os hardcore estarão arrancando cabeças de terroristas em Modern Warfare 2, o lançamento arrasa-quarteirão de novembro. Fiquem ligados que em breve teremos a análise completa.
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